Àkora

Após 20 anos no emprego, ela abriu empresa e deve faturar R$ 6 mi em 2019

Matéria Universa Uol – Àkora Brasil

Nascida em Ribeirão Preto, no interior paulista, Marcia Toyoshima, 58, decidiu abrir o próprio negócio depois de trabalhar com vendas em uma empresa de cosméticos comprometida com preservação da natureza e a sustentabilidade. “Foi minha grande escola, até que minha veia empreendedora despertou. Criei a Àkora Brasil com a proposta de utilizar e desenvolver tecnologias que facilitam o dia a dia das pessoas e diminuem o impacto ambiental. A linha é composta por produtos com conceito ecológico para limpeza e cuidados pessoais”, diz Marcia

Ela sempre buscou se reinventar

Antes de atuar como promotora de vendas, Marcia trabalhava na loja de roupas de seu tio, em São Paulo. Para complementar a renda, vendia cosméticos por revista no modelo porta-a-porta e, de noite, confeccionava acessórios para crianças. “Em 1990, quando a loja do meu tio faliu, decidi visitar a empresa que eu revendia os cosméticos e, após horas de espera para ser atendida, arranjei meu primeiro emprego com carteira assinada e lá fiquei por 20 anos”, diz.

Passado esse longo período, Marcia percebeu que tinha disposição e repertório suficientes para fazer algo por conta própria e, após negociar a saída do emprego, colocou sua ideia no papelusou economias pessoais, incluindo sua rescisão, para abrir o negócio.

 

“Investi R$ 120 mil em mobiliário e estoque inicial. Quando a coisa apertou com relação ao capital de giro, minha filha também abriu mão de suas economias para ajudar no processo. Sempre achamos que uma boa ideia dará dinheiro rápido e não é verdade. As coisas demoram a acontecer”, afirma Marcia, que começou em uma sala de 40 metros quadrados.

Como também decidiu investir em importação, Marcia teve de aprender a lidar com grandes oscilações cambiais e instabilidades quase constantes, que, de acordo com ela, dificultam um planejamento adequado. Sem falar em dificuldades relacionadas às questões tributárias.

Situações impostas a quem empreende

Superadas as etapas financeiras, vieram os desafios práticos. “Quando chegou a primeira remessa de produtos vinda da Coréia, enfrentamos alguns problemas. A rua não era preparada para receber caminhões e o pessoal de entrega não quis carregar a mercadoria até o piso superior, onde nós ficávamos, porque a escada era muito longa. Tínhamos que descarregar a mercadoria na calçada e depois subíamos com ela aos poucos. Preferíamos fazer isso a ter de pagar ajudantes, pois, naquele momento, já estávamos com pouco dinheiro”, diz. Por trabalhar com conceito ecológico, Marcia conta que também teve de se esforçar bastante, com apoio da família, para conquistar uma clientela até então acostumada com produtos químicos, em especial os de limpeza.

“Convidei então minha filha para juntas iniciarmos a empreitada. Não foi fácil, pois limpamos muitas janelas, pisos, banheiros, espelhos, e por aí vai, para mostrar que era possível usar essa metodologia. Chegava em casa cansada, mas convencida que o amanhã seria ainda melhor. No fundo, enxergava que estava no caminho certo e era apenas uma questão de tempo”, relembra.

Preservar a natureza deu dinheiro

 

Com planejamento, empenho e atualizações constantes, a Àkora Brasil chegou aos dez anos e conquistou 12 funcionários diretos e vários indiretos, tendo em vista que terceiriza produção, inclusive de fórmulas naturais, e envase de alguns produtos. Mantém ainda as importações e a maior parte de seu portfólio, informa Marcia, vem de países como Coréia do Sul, Estados Unidos e da Europa em geral.

“Este ano, lançaremos mais cinco produtos inéditos no mercado nacional e estimamos um faturamento de R$ 6 milhões”, revela a empreendedora.

Entre os destaques da empresa, ela cita uma linha de produtos batizada de Ecomais que expandiu em variedade e até mesmo influenciou a criação de outras:

“Começamos com panos que utilizam apenas água como agente de limpeza, sem necessidade de aplicação de produtos químicos. Além deles, contamos hoje com produto para lavar roupas 100% vegetal; esponja de cozinha compostável, derivada de milho; produto para remoção de umidade reutilizável; polidor de unhas para quem não quer esmaltes; esponja de banho feita de fibras de batata; e água oriental, que é um produto que possui ação restauradora de pele; entre outros”, diz.

Em breve, Marcia pretende lançar também um e-commerce e um projeto de franquias, com quiosques em áreas de grande circulação de pessoas. “A ideia é estreitar relacionamento com revendedores, consumidores, e oferecer treinamento na utilização de nossos produtos”, conclui.

Matéria de Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

20/05/2019 04h00